No quarto crescente que os teus modos explicitam
és a guarda dos segredos construídos cama a cama,
és os sonhos revertidos em cada almofada
em que teus cabelos repousaram seus aneis...
Falo de dias tristes, dias longos,
e chagas abertas de olhos redondos
chorando lágrimas e sangue
no medo da solidão carregando os ombros.
Teus seios fartos,
fartos de dar,
fartos de receber sombras e espectros volatilizados logo depois,
nos sonhos fugindo da esperança que morreu,
agruras zunindo nos brincos balouçando suave
e os gestos repetindo-se ausentes de ti,
reflectindo nada nem ninguém.
És ave aprisionada dentro de ti,
cega de encontro a grades de gaiola dourada no aspecto,
negra na essência...
Amores e desamores vertiginosamente sucedidos
sempre em esplendor,
sempre em fracasso...
Faúlhas na noite que a madrugada apaga.

(foto de Sergey Poddubny)